jdoublej

Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 09 – Edward Steichen.

In Uncategorized on 29 de junho de 2013 at 18:36

Edward Steichen foi do circulo de Alfred Stieglitz, do qual também faziam parte Paul Strand e Charles Sheeler. Assim como Alfred Stieglitz, Steichen empenhou-se em demonstrar que a fotografia era uma manifestação formal de arte. Foi também um dos representantes do pictorialismo.

Do ponto de vista pessoal, na área artística, ele realizou algo que Cartier Bresson muito pretendeu, mas que terminou por desistir: ser pintor.

Edward Steichen foi influenciado por Clarence White co-fundador do movimento “photo-secession”, e teve em Alfred Stieglitz  seu grande incentivador.

Steichen nasceu em Luxemburgo, em 1879, mas optou pela cidadania americana depois que sua família emigrou em 1881 para Estados Unidos, tendo se fixado no Michigan. Morreu em 1973, aos 94 anos.

Começou a fotografar em 1895 (aos  16  anos), quando já era pintor, tendo continuado a sê-lo por aproximadamente 20 anos. Viveu em Paris onde estudou pintura.

Em 1905, em Nova York, com Alfred Stieglitz, eles abriram a Gallery 291, no número 291 da Quinta Avenida (daí o nome), onde promoveram exposições dos mais representativos pintores e escultores do século XX: Picasso, Matisse, Cezànne, Brancusi…

Depois disso, no ano seguinte,  Edward Steichen voltaria para Paris, onde passou mais 17 anos (até 1923), retornando como fotógrafo chefe das revistas Vanity Fair e Vogue.

Um dos aspectos do seu trabalho consiste na sua dedicação a fazer retratos de grandes personalidades, com muitas das quais manteve relações de amizade. Diz-se que um único retrato lhe exigia a dedicação de todo um dia de trabalho. Entre os seu ilustres fotografados: Greta Garbo, Charles Chaplin, Marlene Dietrich, Matisse, Rodin

Observa-se que sempre buscou em todos os seus temas, uma interpretação emotiva e impressionista.

Foram muitas as suas realizações, entre elas, foi nomeado diretor da secção de fotografia do Moma, em 1947. 

Participou da II guerra mundial, fez importantes fotos de guerra em Pearl Harbor, Honolulu e Hawaí.

Escolhi começar a mostrar algumas das sua fotos, por um seu surpreendente autoretrato:

autoretrato comopintor

Este seu auto-retrato é de 1902, e ele o fez inspirado no quadro por Tiziano Verelli, “O homem da luva” de 1520, que ele viu no museu do Louvre:

O Homem da Luva Azul

“O homem da luva” (Tiziano Varelli)

Tiziano, considerado um dos melhores pintores de retratos da Itália Renascentista, desenvolvia na maioria das vezes retratos ligados ao psicológico dos seus modelos, e por ter pintado numerosos retratos de aristocratas e príncipes, ganhou o nome de “pintor dos príncipes”.

Entre os vários maravilhosos retratos de personalidades, da autoria de Steichen, ousei destacar este, de Gloria Swanson:

Gloria-Swanson-Edward-Steichen-2 (1)

 “O retrato pressupõe que eu mergulhe completamente na personalidade do modelo, que eu perca inteiramente a minha própria identidade e quando termino estou quase completamente despedaçado” Edward Steichen

Na sequencia, mais alguns dos seus extraordinários retratos de grandes personalidades:

18057384_Ann_Harding_Beverly_Hills_California_1931

Ann Harding

18057675_Gloria_Swanson_1927

Gloria Swanson

18057737_Greta_Garbo_and_John_Gilbert_Culver_City_1928

Greta Garbo e John Gilbert

18058065_Isadora_Duncan_1913

Isadora Duncan

18058120_Joan_Crawford_1932

Joan Crawford

18058158_Leslie_Howard_1932_In_the_Studio

Leslie Howard

18058194_Marion_Morehouse_in_AugustaBernard_1929

Marion Morehouse

18058217_Marion_Morehouse_New_York_1927_In_the_Studio

Marion Morehouse

18058276_Marlene_Dietrich_New_York_1932_In_the_Studio

Marlene Dietrich

18058308_Marlene_Dietrich_Hollywood_1931_TwentyFive_Photographs

Marlene Dietrich

18058335_Marlene_Dietrich_1934

Marlene Dietrich

18058379_Miss_Fanny_Haven_Wickes_Newport_Rhode_Island_1924_The_Blue_Sky

Miss Fanny Haven

18058486_Norma_Shearer_Edward_Steichen_01

Norma Shearer

18058566_Princess_Irina_Alexandrovna_Jusupov_ca

Princess Irina Alexandrovna Irina

Carl Sandburg and his wife, Lillian Edward Steichen Sandburg

Carl Sandburg e sua mulher Lillian Sandburg. Carl Sandburg foi poeta, historiador, novelista. biógrafo… Considerado um homem sábio. Ganhou o premio Pulitzer pelas suas poesias e pela biografia de Abraham Lincoln. Em 1907 encontrou Lilian, e no ano seguinte casou com ela. Lilian era irmã de Edward Steichen. Tiveram três filhos.

Edward Steichen  Vanity Jean Harlow

Jean Harlow

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Brancusi

edward_steichen__brancusi_in_his_studio_paris_19271

Brancusi em seu estudio em Paris.

Edward Steichen Greta Garbo

Greta Garbo
Gloria Swanson - c. 1920s

Gloria Swanson

great-garbo-Edward-outubro-1929-352x440

Greta Garbo

louise-brooks-Edward-jan-1929-352x440

Louise Brooks

mia_3193e.0_Charles _ Chaplin_925

Charlie Chaplin

edward_steichen__charlie_chaplin_1925

Charlie Chaplin

FRED by Steichen
Fred Astaire

Porém dos vários retratos que fez, os considerados mais notáveis são os de Rodin. O primeiro deles é de 1902, e coloca Rodin em frente ao seu monumento a Victor Hugo. Não destaca o rosto de Rodin. Pelo contrário, o escultor é fotografado de perfil e contra a luz. A sua face é portanto escurecida  propositalmente, de modo a não mostrar detalhes do seu rosto. A ideia foi apresentar Rodin como o artista criador que supera a dimensão humana. “Rodin, o homem, apaga-se face a Rodin, o artista criador”.

A imagem nada tem de natural e se aproxima de uma pintura, porque Steichen a manipula (utilizando as possibilidades da goma bicromatada) de modo a tornar imaterializada a estátua de Victor Hugo, a qual ganha uma forma fantasmagórica.

“Dessa forma ele expressa duas realidades, a de Rodin e a sua visão, que transformará em realidade material. A imagem invertida foi utilizada para criar um segundo retrato no qual Rodin é confrontado com uma das suas obras mais conhecidas, “O Pensador”. “

Observamos assim o quanto na prática fotográfica dos grandes mestres da fotografia, a manipulação das imagens antecedeu no tempo as ricas possibilidades atuais proporcionadas pelo Photoshop.

Rodin-O pensador (1)

As fotos a seguir são de Steichen como fotógrafo de moda. Até então as revistas de moda usavam publicar apenas desenhos. Steichen foi o introdutor das modelos.

steichen-edward-vanity-fair-may-1923

18058533_photo_by_Edward_Steichen edward_steichen_91 Edward-Steichen-3 edward-steichen-conde-nast1Edward-Steichen-Vogue-natural-light

É surpreendente que Steichen também fotografou a guerra. Ele Participou da segunda guerra mundial,  como capitão da marinha americana:

Edward Steichen at USS Arizona Memorial - Pearl Harbor Honolulu

Capitão Edward Steichen

Algumas fotos de Steichen durante a II Guerra Mundial:

Water Plume

Explosão bem próxima do navio onde ele
estava!

Another Navy Tradition

Trata-se do registro da tradição na marinha americana do marinheiro atirar-se ao mar.

A Fighter Plane Bursts Into Flame

Um avião americano atingido.

The Third Fleet

Vista aérea dos navios das terceira frota nas costas do Japão em 1945.

Pleased Pilots After Attack The Navy's Fledglings Asleep On Deck Evading A Bombing Attack Coffee For Enewetok Survivors Portrait Of A Sailor Relaxed Quarters

1943-rec (1)

E concluindo, para ilustrar a diversidade de fotos que fez, nos seus vários periodos, seguem duas fotos de New York:

brooklynbridge46

Brooklin Bridge

Steichen_flatiron

The Flatiron

O famoso The Flatiron building em Nova York, também foi fotografado pelo Alfred Stieglitz! Curiosamente, do mesmo ângulo. São fotos muito belas, e das duas a de Alfred Stieglitz tem a minha predileção.

E o que dizer da foto abaixo?

Lembrei ao vê-la, que certa vez, o crítico A.C.R.Carter, perguntado sobre o que achava sobre a fotografia ser uma arte, ele respondeu:

“Sim, trata-se de Edward Steichen.”

Edward_Steichen-Experiment (1)

A impressão que me deixaram as leituras sobre Edward Steichen é a de que de fato ele teve uma longa e diversificada atuação artística.

03-Steichen_legs Edward Steichen - Blue sky, 1923 18058447_Miss_Sousa_1933_The_Blue_Sky

images

Face a extensão da obra de Edward Steichen, essa síntese seria ainda mais incompleta, se eu deixasse de mencionar o papel que ele teve, na produção de uma das mais famosas exposições fotográficas:  “The family of man”.

Aconteceu 10 anos após o fim da segunda guerra mundial, em 1955, e teve a participação de fotógrafos de 68 países. Dois milhões de fotos concorreram e apenas 10 000 foram em uma primeira etapa selecionadas. Terminaram escolhidas 503 fotos de 273 fotógrafos, 110 deles não americanos.

Encerrarei essa postagem, com uma dessas 503 imagem que compõem a “The family of man”. Eu a escolhi por achá-la deveras marcante, e  me surpreendo por quanto diante dela me detenho!  A autora foi Dorothea Lange. E na foto, que é da década de 30, Florence Thompson, 32 anos, 7 filhos. Titulo da foto: “Migrant Mother”.  Foi tirada durante a grande depressão nos Estados Unidos.

Lange-MigrantMother02

Com esta exposição, Edward Steichen que dela foi o curador, teve como propósito mostrar através de imagens, a universalidade da experiência humana. Ele considerou “The family of man” o ponto culminante da sua carreira.

Nada mal! Hein?

Ou como ele era americano, diria em sua homenagem: not too bad!

Alguns dos Mais Influentes Fotografos do Mundo – 08 – Alfred Stieglitz.

In Uncategorized on 18 de junho de 2013 at 22:07

Alfred Stieglitz (1)

Alfred Stieglitz, é considerado a figura mais significativa da fotografia nos Estados Unidos, e um dos maiores impulsionadores da fotografia como forma de arte. Encontrei no vídeo a seguir o modo sucinto que buscava de apresentá-lo, ao qual apenas acrescentarei algo a respeito do chamado Pictorialismo, e da presença deste extraordinário fotógrafo neste importante movimento artístico.

Sim! Alfred Stieglitz foi um adepto do pictorialismo.

O Pictorialismo foi um movimento artístico que surgiu na França, Inglaterra e Estados Unidos, a partir da década de 1890, até 1920.

Observemos as duas imagens a seguir… Elas fazem parte de um trabalho acadêmico sobre o Pictorialismo disponibilizado na internet, para a disciplina de Photo Lab da professora Suzana Marques, e do qual participa a atriz Paula Rego.

(para os interessados em maiores detalhes: http://www.behance.net/gallery/paula-rego-pictorialismo/1002415)

aa0f7471eff3a8848aef17051cc88975

93dca13994ad1a3fa8035d400c1ea124

Tudo bem! As vezes a realidade é mais graciosa, que aquela outra criada pelo artista.

“No Pictorialismo a fotografia perde a sua relação com o real, mas por outro lado o fotógrafo passa a ser visto como o criador de uma nova realidade.”

Isto é por demais observável nas imagens criadas por Alfred Stieglitz que à época tinha por objetivo demonstrar que ao imitar as pinturas, a fotografia merecia um reconhecimento de um papel singular como modo de expressão artística.

Alfred Stieglitz (22)

A manipulação que os fotógrafos pictorialistas faziam nos negativos e nas provas, alterando elementos naturais da imagem por diversos meios, visavam imitar as pinturas e assim alcançarem o reconhecimento artístico dos pintores, ao elevarem a fotografia ao patamar das artes.

Os críticos deste movimento tinham a opinião de que enquanto tentaram imitar as pinturas, os fotógrafos perderam de explorar novos ângulos estéticos, próprios da fotografia.

Hoje, privilegiados pelos progressos que nos proporcionaram as técnicas digitais, não só podemos apreciar o valor da fotografia tal como sentida e praticada pelos pioneiros que viveram durante o seculo XIX e sobretudo a primeira metade do seculo XX, como praticar a vontade o Pictorialismo…

Assim o fazemos quando ao fotografar com o Smartphone, usamos uma meia dúzia de editores nele próprio instalado, para dar às nossas imagens, a aparência que desejarmos. É o caso particular da chamada iPhonographia!

 A foto considerada pela crítica como a mais importante da obra de Stieglitz e também uma das fotos mais importantes do século XX, foi “The Steerage“. Ele a fez a caminho da europa em 1907, embora só em 1911 ela tenha sido finalmente publicada. Picasso ao vê-la, comentou: “Este fotógrafo trabalha com o mesmo espírito que eu.”

A partir daí Alfred Stieglitz teria começado a sua transição da fase pictorialista para a da fotografia documental e naturalista, que então tomou força.

The Steerage

The Steerage

 Outra foto de grande relevância é “The terminal”, que pertence a parte do seu acervo de fotos da cidade de Nova York. Esta foto, foi vendida em 1898 por 75 dólares, um valor considerável para a época.

Alfred Stieglitz (20)

The Terminal.

O primeiro casamento de Alfred Stieglitz não deu certo! Mas o segundo, com a pintora Georgia O´Keefe deu!

Stieglitz dizia: “Pretender que um único retrato possa ser o retrato completo de uma pessoa, é tão fútil quanto pretender que um filme possa ser condensado em uma única foto.”

Portanto Stieglitz acreditava que o retrato consistia em mais do que mostrar apenas o rosto e que ele deveria ser um registro da experiência global e uma pessoa. Um mosaico de movimentos expressivos, emoções e gestos os quais funcionariam coletivamente para evocar uma vida.

Por isso, para evocar a vida de sua mulher Georgia O´Keefe, ele fez cerca de 300 fotos dela, no priodo de 1917 a 1937, e com elas compôs um extraordinário painel.

Alfred Stieglitz (2) Alfred Stieglitz (6)Alfred Stieglitz (9) Alfred Stieglitz (15)

h2_1997.61.19

1921

Outras fotos de Alfred Stieglitz:

Alfred Stieglitz (3)

Um Canal de Veneza.

Alfred Stieglitz (13)

Flatirion Building, 1903.

Alfred Stieglitz (21)

Winter on Fifth Avenue, New York, 1893.

Alfred Stieglitz (10) Alfred Stieglitz (11) Alfred Stieglitz (12) Alfred Stieglitz (18) Alfred Stieglitz (23)

Em uma de suas citações, Alfred Stieglitz revelou que a fotografia foi para ele um amor à primeira vista pelo qual teve grande paixão:

“A câmera estava me esperando por predestinação e eu a tomei como um músico a um piano ou um pintor à tela. Eu fui para a fotografia uma alma verdadeiramente livre – e amei a fotografia à primeira vista com grande paixão.

Outras citações dele sobre a fotografia:

“Onde houver luz pode haver fotografia.”

“Em fotografia há uma realidade tão sutil que ela se torna mais real que a realidade.”

“As artes tem departamentos distintos, e a menos que a fotografia tenha suas próprias possibilidades de expressão, à parte daquelas outras artes, ela será um mero processo, não uma arte.”

Alguns dos Mais Influentes Fotografos do Mundo – 07 – Robert Doisneau.

In Uncategorized on 15 de junho de 2013 at 14:40

Uma boa forma de apresentar um grande fotografo, é sem dúvida mostrando a sua mais famosa fotografia.

Este é Robert Doisneau:

robert-doisneau-autoportrait-au-rolleiflex-1947-©-atelier-robert-doisneau

E esta abaixo, é a sua foto mais famosa, “The Kiss by Town Hall”, que tornou-se um simbolo da Paris romântica da década de 50:

34doisneau.tif

Robert Doisneau era frances, e viveu de 1912 a 1994 (82 anos). 

O pai era encanador e morreu em ação durante a primeira guerra mundial, quando ele tinha apenas  4 anos. Sua mãe também morreria poucos anos depois, quando Doisneau tinha 7 anos, tendo ele sido criado por uma tia que não lhe tinha muito amor. 

Pobre Doisneau! O começo e o final da sua vida, foram muito tristes…

Os relatos sobre ele dão conta de ter sido um homem tímido, simples, humilde e ético,  que não admitia fotografar as pessoas em condições aviltantes. Um exemplo disso foi a sua recusa de registrar mulheres cujas cabeças haviam sido raspadas como uma punição, por terem dormido com soldados alemães.

Gostava de fotografar crianças nas ruas, quando desacompanhadas dos pais, e suas fotos tinham um toque de divertidas, expontâneas, naturais, e simples. Ele frequentemente voltava a fazer esses registros de crianças, sempre com muita seriedade e respeito.  Em reconhecimento a isso, há na Franca muitas escolas primarias que levam o seu nome.

Ao retratar a realidade cotidiana, podemos perceber nas suas belas imagens, a influencia de Andre Kertsz e de Cartier-Bresson.

A famosa foto acima, “Kiss by the Town Hall”, pela qual Robert Doisneau obteve reconhecimento da sua obra, se por um lado lhe trouxe a fama, também lhe causou grandes transtornos.

Embora as fotos de Doisneau demonstrem a sua extraordinaria capacidade de clicar no “momento decisivo”, jamais faria essa foto sem antes pedir permissão. Até porque, segundo ele próprio, um casal beijando-se assim na rua, tem grande possibilidade de não ser um casal “legitimo”. Essa sua preocupação demonstra um traço marcante da sua personalidade.

Alem disso e pelas leis vigentes na França, o direito à imagem cabe aos fotografados,  desde que assim o desejem, caso não haja a permissão previa para a foto.

O que de fato aconteceu, foi que Doisneau viu o casal se beijando, ah saida de uma escola de teatro em Paris. Eles eram alunos de uma escola de teatro. Aproximando-se deles, indagou se concordariam em repetir o beijo, para que ele os pudesse fotografar.

Eles concordaram e terminaram repetindo a cena em tres diferentes locais de Paris.

Viria a ser confirmado anos depois, pela propria Francoise Delbart, a mulher na foto, que Doisneau fora extremamente gentil e amavel ao aborda-los e que eles não tiveram objeções a atende-lo, até porque estavam bem acostumados a beijarem-se, e que naturalmente achavam isso muito bom.

Embora a foto tenha se tornado muito famosa,  o casal fotografado permaneceu incognito, por um longo tempo. Enquanto isso, vários casais apareceram reclamando ser o casal fotografado, e um deles, Jean e Denise Lavergne, contestou judicialmente alegando que a foto era sua e que havia sido tirada sem permissão.

Robert Doisneau ganhou a causa, porque foi possivel reencontrar o verdadeiro casal fotografado, que fora Francoise Delbart e Jacques Carteaud, que naquela ocasião tinham respectivamente 20 e 23 anos de idade. Françoise recebeu na época da foto, “por seu trabalho”, uma foto assinada e selada pelo autor  da fotografia, Robert Doisneau, o que terminou com as duvidas sobre a autenticidade dos fotografados.

Em abril de 2005, Francoise vendeu a foto em um leilão, arrematada por um suiço desconhecido por um valor dez vezes maior que o esperado: 155 000 Euros (em termos atuais,aproximadamente R$ 400 000,00).

Doisneau foi casado com com Pierrete, e teve duas filhas: Annete e Francine. Francine foi sua secretária de 1979 ateh a morte do pai, em 1994. Ela contou o quanto o abalou a decepçao pelo mundo de mentiras desencadeadas em torno da sua foto, acrescido da doença da sua esposa Pierrete, que em decorrência de Alzheimer e Parkinson, veio a falecer 6 meses antes dele.

Doisneau morreu de problemas cardiacos, agravados por uma pancreatite, mas segundo sua filha Francine, a verdadeira causa da sua morte teria sido a tristeza.

Fiquem então com uma coletânea de suas fotos.

Que tal relembrarmos antes de vê-las, o que disse a também extraordinária, Julia Margaret Cameron:

“A capacidade de deleite é o presente por prestar atenção”.

4bfe8f07a6078 (1)_Doisneua 07_robert doisneau_olhar de soslaio_1948 26398_Doisneau 276760339571909689nnn4K5X1c_Doiasneau a_06_enfant_ardoise_encrier_doisneau by-robert-doisneau-d7q0w5qj-89602-400-578 copper800_doisneau doienau doisneau_Doisneau doisneau_fox_terrier doisneau_luxembourg_gardens doisneau_sunday_morning doisneau1_A doisneau-robert-la-dent images (1)_Doisneau_B images (1)_doisneau_C images (1)_Doisneau_D IMG_4557_Doisneua La récréation, rue Buffon, Paris, 1959. Robert Doisneau le-combat-du-centaur-1971-by-robert-doisneau robert doisneau La Dame Indignée 1948 robert_doisneau_les_coiffeuses_au_2 robert01_Doisneau Robert-Doisneau_bacio_tavolino_cane Robert-Doisneau-2 Robert-Doisneau-4 Robert-Doisneau-5 robert-doisneau-cafè-paris tumblr_m04di3wfVZ1rovg3ho1_1280_Doisneau

 Concluindo, algumas de suas citações:

“As maravilhas da vida diaria são tão emocionantes; nenhum diretor de cinema pode organizar o inesperado que encontramos nas ruas.”

“Se eu soubesse como tirar uma boa fotografia, eu o faria todas as vezes.”

E sobre a sua fama a partir da divulgação de “The Kiss by Town Hall”:

“Pode ser que se tivesse 20 anos, o sucesso me mudaria. Mas agora eu sou um dinossauro da fotografia.”

Viva Robert Doisneau!

“Um Retrato é Sempre uma Aventura.”

In Uncategorized on 28 de maio de 2013 at 19:15
Fotografados em sua casa por Henri Cartier-Bresson.

Casal Irène e Frédéric Joliot-Curie, fotografados em sua casa por Henri Cartier-Bresson.

Pierre Assouline biógrafo de Henri Cartier-Bresson, conta que esses dois ilustres físicos franceses, na origem da descoberta da radioatividade artificial, já haviam anteriormente, em 1935, sido fotografados por David Seymour (Conhecido por “Chim” – como sabemos, co-fundador da Magnum com Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e dois outros ilustres fotógrafos).

Chim fizera então uma foto clássica, dita sem surpresas nem mistérios.

Agora porém, quando é a vez de Henri Cartier-Bresson fotografá-los, o governo francês os tem transformado em personalidades oficiais do regime, nomeando ela para diretora do Instituto do Rádio e ele Alto Comissário para a Energia Atômica.

Bresson pretende então, ao visitá-los em sua casa,  evitar fotografá-los atrás de uma escrivaninha ou à frente de um quadro cheio de esquemas. 

Eis o que Pierre Assouline conta na sua biografia de Henri Cartier-Bresson, sobre este retrato:

“Ele (HCB) aperta a campainha, eles abrem a porta e a foto se impõe por si mesma num estalo. Os dois estão lado a lado, no vão da porta, medievais na maneira de vestir, mergulhados numa penumbra de austeridade monacal, acanhados em seus gestos, torcendo as mãos de timidez, mal disfarçando a apreensão diante da temida intrusão. Têm o ar tão triste que parecem assistir ao próprio funeral. Pela solenidade de suas figuras lado a lado, e não por suas expressões ou pelo interior que se revela atrás deles, é inevitável evocar o retrato do comerciante Arnolfini e de sua mulher pintado por Jan Van Eyck (um dos três pintores preferidos de HCB). Não será a primeira vez e não será a ultima, que uma foto de Cartier-Bresson torna-se um reflexo inconsciente de um quadro marcante da história da arte. O antigo aluno da academia Lhote está sempre presente. O choque dessa aparição de outra época é tão grande que ele perde as boas maneiras. Instintivamente, antes mesmo de cumprimentá-los, ele mira e clica. Depois fará mais algumas fotos por formalidade, mas ele já sabe que a única imagem boa já está na máquina, pois a primeira impressão de um rosto ou de uma atitude geralmente é a mais correta. De todos os retratos tirados por Cartier-Bresson, este será para sempre o preferido de Mandiargues, pela emoção que provoca:

– O casal Joliot-Curie, ambos segurando suas próprias mãos ou quase isso, rostos tensos como à espera de algo pressentido mas que não pode ser dito, os olhos literalmente conectados à objetiva por um cabo invisível. Nunca se viu nos quadros antigos em que aparece a imagem do anjo anunciador, uma expressão de tamanha inquietação…”

Casal Arnolfini  (The Arnolfini Marriage),  de Jan Van Eyck - National Gallery London.

Casal Arnolfini
(The Arnolfini Marriage),
de Jan Van Eyck – National Gallery London.

Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 05 – Robert Capa.

In Uncategorized on 26 de maio de 2013 at 19:22

Nascido Endre Ernõ Friedmann, em 1913 em Budapeste, este famoso fotógrafo de guerra húngaro, adotou o pseudônimo Robert Capra em 1935, por influencia de  Gerda Taro também fotógrafa e sua namorada.

Capa significa shark (tubarão), seu apelido de infância na polônia, de onde saiu aos 18 anos. Além de tudo soava familiar pela semelhança sonora com o Capra do diretor de cinema Frank Capra. À época, seu pseudônimo o ajudou a vender melhor as suas fotos, por o tomarem por algum fotógrafo americano.

Durante a sua curta carreira cobriu cinco guerras:

Civil Espanhola (1936 a 1939).

Fotografou em companhia da sua namorada Gerda Tavo e do co-fundador da agencia Magnum, David “Chim” Seymour.

Gerda Taro morreu tragicamente esmagada por um tanque do governo Espanhol, em 1937 aos 27 anos. Há referencias de que se tratou de um lamentável acidente, mas há também referências a que ela teria sido assassinada. Diz-se que o Robert Capa jamais viria a se recuperar do que aconteceu.

Segunda guerra Sino-Japoneza.

Em 1938 ele viajou para a cidade chinesa de Hankow, hoje Wuhan, onde documentou a resistência a invasão Japoneza.

Segunda guerra mundial.

Esteve em Londres, norte da Africa, Itália, Normandia (Omaha Beach) e na libertação de Paris.

Guerra Árabe Israelita (1948).

Primeira guerra Indochina.

Onde morreu aos 40 anos, fotografando.

Em uma época onde ainda não existiam as poderosas teleobjetivas atuais, Capa costumava dizer que se uma foto não resultasse boa, era porque não havia sido tirada de perto.

Esta concepção aliada a sua paixão pela fotografia e permanente busca de aprimoramento, terminariam por o levar a morte.

Capra já havia resolvido parar com as coberturas de guerra, quando foi persuadido a cobrir a guerra da Indochina.

Encontrava-se em Thai Binh, Vietnã, em um jeep com dois jornalistas da Life-Time, quando resolveu descer e caminhar à frente na tentativa de alguma foto de ações no front. Os ocupantes do jeep minutos depois ouviram a explosão de uma mina. Chegaram cinco minutos depois ao local, e encontraram Capra com as pernas dilaceradas, e um sério ferimento no peito, ainda com a câmera nas mãos. Levaram-no para um hospital de campanha onde ao chegar foi declarado morto.

Sua foto mais famosa, é a denominada  “falling  soldier photo”. Sugere um soldado civil que na guerra espanhola, ao ser ferido mortalmente, cai para a morte.

Há controvérsias desde que foram levantadas hipóteses diferentes para esta imagem. Um estudo recente com base computacional, realizado no Japão, concluiu que o soldado teria escorregado na declividade do terreno e teria sido fotografado ao cair não para a morte, mas para o chão mesmo!

Capra foi à época instado a se pronunciar sobre o assunto, mas não o fez, abalado pela recente morte da sua namorada Gerda.

O seu irmão Cornell Capa, fundou o Centro Internacional de Fotografia em New York, (www.icp.org/museum/exhibitions/robert-capa-1913-1954) instituição que reúne o seu acervo para preservação e divulgação ao público.

A obra de Robert Capa é considerada um manifesto contra a guerra, a injustiça e a opressão. 

A seguir uma coletânea de fotos do acervo de Robert Capa.

Robert Capa fotografado por sua namorada Gerda Taro

Robert Capa fotografado por sua namorada Gerda Taro

Gerda Taro, fotografada por um anônimo.

Gerda Taro, fotografada por um anônimo.

capa3

Foto do dia D, desembarque dos aliados na Normandia. O conjunto de fotos deste momento histórico, ainda que muitas delas desfocadas, são consideradas um dos maiores registros fotojornalísticos de todos os tempos.

capa4

Alemanha – Capra teria descido de para-quedas um pouco antes de registrar a cena.

ernest-hemingway

O senhor de óculos nesta foto é Enest Hemingway.

ernest-hemingway-and-his-son-gregory-sun-valley-october-1941

Outra vez Ernest Hemingway e o seu filho, em 1941.

Ingrid-Bergman-Robert-Capa-Arco-do-Triunfo

Ingrid Bergman.

Robert Capa 937

Alemanha.

robert capa0002.0

Esta foi uma das primeiras fotos de Capra como fotógrafo, em 27 de novembro de 1932, quando ainda vivia na alemanha e foi enviado a Copenhage, onde fotografou Leon Trotsky durante uma reunião.

robert capa0005.0

Essa foto foi na Espanha, em nov-dez de 1936, durante a guerra civil, em um tunel do metro.
Mostra civis abrigados para se protegerem de bombardeios.

robert_capa__d-day_1944_2

Desembarque na Normandia.

robert_capa__francoise_gilot_and_pablo_picasso_1948

Aqui Picasso protege com o guarda sol, Françoise Gilot.

robert_capa__guerra_civil_espanhola_maio_de_1954

Apesar dos traços asiáticos consta que essa foto foi tirada durante a guerra civil espanhola!

robert_capa__haifa_israel_1950

O famoso escritor John Steinbuck, o qual conviveu com Robert Capa, pois viajaram juntos para a Rússia, dizia algo sobre o seu trabalho, que está bem retratado nesta foto: “Capa mostrava o horror de todo um povo no rosto de uma criança.”

robert_capa__spanish_civil_war_19431

Estas mulheres pranteiam a morte acabada de acontecer dos seus filhos. Vinte jovens que em um ato de heroísmo, roubaram armamentos para defenderem-se dos alemães. Foram todos mortos por eles.

Robert Capa, Ed Regan Veteran of Omaha Beach D-Day Landing

Mais uma foto do desembarque na Normandia.
Foto que inspirou a estética de Spielberg em “Resgate do Soldado Ryan”.

robert-capa-dior

Há quem defenda a dimensão maior de Capra como fotógrafo, muitas vezes reduzida à fotografia de guerra.
robert-capa-ultima-foto

Indochina.

timthumb (1)

Barcelona, 1936.
Correndo para um abrigo durante alarme de ataque aéreo.

18 de abril de 1945 capa2 capa5 henri-matisse-france Robert Capa 937 paris-les-champs-elysc3a9es-august-26th-1944-members-of-the-french-resistance-and-soldiers-of-the-french-army-celebrating-the-liberation-of-the-city robert capa0007.0 robert_capa__a_french_woman_who_had_had_a_baby_with_a_german_soldier_was_punished_by_having_her_head_shaved_18-August-1944 robert_capa__d-day_1944 robert_capa__departure_of_chiang_kai-sheks_german_military_advisors_1938 robert_capa__palermo_1943 robert_capa__spanish_civil_war_1936 sicily-italy-august-1943 soldiers-of-the-u-s-82nd-airborne-division-saint-sauveur-le-vicomte-france-june-16-1944 spain-barcelona-january-13-1939-man-with-two-women-and-a-baby-preparing-for-mobilization-as-general-francos-troops-approached-the-city spain-madrid-november-december-1936-a-member-of-the-international-brigades timthumb (2) timthumb (3) timthumb truman-capote-italy-1953 watching-the-tour-de-france-in-front-of-the-bicycle-shop-owned-by-pierre-cloarec-one-of-the-cyclists-in-the-race-pleyben-brittany-france-july-1939

E finalmente para concluir, a célebre “Foto do soldado caindo”. Porque o acertaram? Porque escorregou? Há quem fale em farsa, mas não sou inclinado a admitir que sim. Não importa o que realmente se passou. A foto, no auge da guerra espanhola é dramática, e sua divulgação chamou a atenção para os absurdos que ali aconteciam. Além do mais, Capra nunca se pronunciou sobre esta foto, como tive a oportunidade de mencionar anteriormente.

"Foto do Soldado Caindo"

“Foto do Soldado Caindo”.
Na década de 90 foi confirmado que o homem na foto é Frederico Borel Garcia, miliciano que realmente morreu em 05 de setembro de 1936 em uma batalha em Cerro Muriano, dia em que foi tirada a foto. O click teria sido no instante em que ele é atingido por uma bala na cabeça.
Céticos afirmam que antes de morrer, o soldado havia “posado” várias vezes para Capa.
Não duvido que alguém mais possa acrescentar, que nesse caso, a sua morte foi um castigo!

Viva Robert Capra!

Viva Gerda Taro!

Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 04 – Sebastião Salgado.

In Uncategorized on 25 de maio de 2013 at 13:05
O Brasileiro entre os cem fotógrafos mais influentes do mundo.

O Brasileiro entre os cem fotógrafos mais influentes do mundo.

Sebastião Salgado é  fotojornalista. É um dos fotógrafos contemporâneos mais respeitados no mundo. Nasceu em Aimoré, no estado de Minas Gerais, em 1944. Entre 1964 e 1967 estudou economia no Brasil. Fez mestrado em economia na USP e na Universidade Vanderbilt (EUA). Após concluir os seus estudos para o doutoramento na Universidade de Paris, em 1971, trabalhou durante dois anos para a Organização Internacional do Café. Depois disso e após uma viagem que fez à Africa levando a câmera emprestada da mulher, trocou a economia pela fotografia.

Dedicou-se à chamada fotografia engajada, fotografando com estilo considerado único, a vida dos menos favorecidos e chamando assim atenção para problemas sociais importantes.

Sebastião Salgado recebeu praticamente todos os prêmios de fotografia do mundo em reconhecimento ao seu trabalho.

Escreveu uma dezena de livros, e em 1994 fundou a sua própria agencia de notícias: “Imagens da Amazônia”.

Em 1979 entrou para a Magnum, a  conceituada agência fotográfica americana, fundada por Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e dois outros. Quero crer que foi trabalhando na Magnum que lhe ocorreu um fato marcante e de fundamental importância para o seu futuro profissional. Viveu frações de segundo em que se juntaram o acaso, a sorte e a competência de fotojornalista. Ele fora designado para cobrir um evento presidencial em Washington, do qual resultou o atentado contra o então presidente Reagan, cometido por John Hinckley. Apesar das dezenas de fotojornalistas presentes, Sebastião Salgado foi o único a registrar imagens do atentado. As fotos lhe valeram um pequena fortuna, e  possibilitaram o início da sua já longa carreira solo.

Diz Sebastião Salgado: “Desejo que cada pessoa que entra numa das minhas exposições seja, ao sair, uma pessoa diferente.”

Atualmente vive em Paris. É casado com Lélia Wanick e tem dois filhos.

A seguir, uma coletânea de fotos de SS, um dos mais talentosos fotógrafos de que o mundo tem notícia.

SS_ (58)

Quanta altivez e beleza!

SS_ (36)

Quem viu anteriormente as fotos que postei de Irving Penn, poderá ter notado entre elas, pelo menos duas fotos que guardam similaridade tonal e de composição, com esta de SS.

Coletânea de Fotos de Sebastião Salgado. SS_ (35) SS_ (37) SS_ (38) SS_ (39) SS_ (40) SS_ (41) SS_ (42) SS_ (43) SS_ (44) SS_ (45) SS_ (46) SS_ (47) SS_ (48) SS_ (49) SS_ (50) SS_ (51) SS_ (52) SS_ (53) SS_ (54) SS_ (55) SS_ (56) SS_ (57) SS_ (59) SS_ (60) SS_ (61) SS_ (62) SS_ (63) SS_ (64) SS_ (65) SS_ (66) SS_ (67) Gold Serra Pelada, Brazil SS_ (69)

Um Pouco Mais Sobre HCB.

In Uncategorized on 23 de maio de 2013 at 13:05

HCB era mesmo como costumavam se referir ao Henri Cartier-Bresson.

Chamou-me atenção um comentário de alguém, segundo o qual, em seu ateliê em Paris, HCB mantinha uma única foto na parede.

Era uma foto de 1929, do fotógrafo húngaro Martin Munkacsi, tirada no Congo.

Ela mostrava três garotos negros que corriam nus em direção a um lago, o lago Tanganica. A foto, à contra-luz, captou a liberdade, a alegria, a exuberância de um momento de espontaneidade, a integração com a natureza… Por tudo isso eu diria que Munkacsi fixou ali para sempre aspectos subjetivos muito importantes!

HCB quando viu essa foto pela primeira vez, foi impactado por ela. À época ele ainda buscava fazer uma carreira de pintor, e foi esta foto que despertou nele o interesse pela fotografia.

Nada mais natural, que décadas depois ele a mantivesse a vista. Poderia ser pela importância que teve na definição da sua bem sucedida carreira, ou pela importância dos valores nela ressaltados. Prefiro pensar que pelos dois.

Mas o que motivou essa postagem, não foi nada disso que até aqui falei.

Antes de ir diretamente ao ponto, eis a foto acima mencionada:

A2_Martin Munkasci

É que descobri que esta não era a única foto que HCB tinha na parede de seu ateliê.

Que foto então seria essa outra, capaz de rivalizar com a primeira, apesar do seu tamanho grau de importância?

Esta segunda foto é  deveras impressionante!

Também expressa a liberdade, um valor realmente inestimável. Mas esta segunda foto, trata da liberdade absoluta. Captada além do ponto a partir do qual já não há retorno. Ela enaltece a capacidade humana de enfrentamento digno de situações extremas e o coloca em um patamar difícil de ser alcançado pelo comum dos mortais.

Esta foto também não é da autoria de HCB. Seu autor é o fotógrafo mexicano Augustin Casasola e foi tirada durante a revolução mexicana de 1913. Ele retratou o revolucionário Fortino Samano, companheiro de Zapata e de Sancho Panza, diante do pelotão de fuzilamento, dois segundos antes de ser executado.

Na descrição de Pierre Assoulin, biógrafo de HCB (e também de George Simenon), a foto mostra: “Fortino Samano diante do pelotão de fuzilamento dando as costas para o muro, com as mãos nos bolsos e um cigarro nos lábios, esboçando um sorriso de provocação e fazendo uma pose insolente para melhor enfrentar a morte.”

Resumindo, eu diria que Fortino Samano enfrentou seu instante final com elegância e dignidade.

Fortino Samano

Prossegue Pierre Assoulin:

“A primeira das fotos, expressa a alegria de viver no que ela tem de mais intenso e espontâneo; a segunda, a liberdade absoluta apreendida no momento fatídico em que ela ultrapassa o ponto de não retorno.”

Henri Cartier-Bresson a elegeu a fotografia do século (século XX).

… e a botou na parede.

Pronto!

Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 03 – Julia Margaret Cameron.

In Uncategorized on 20 de maio de 2013 at 23:22

Julia Margaret Cameron foi uma fotógrafa Britânica, nascida em 1815 em Calcutá, India Britânica, e que morreu aos 63 anos, no Ceilão (em 1879), após uma breve enfermidade.

Começou a fotografar aos 48 anos, depois que ganhou de presente de uma filha, uma câmera fotográfica. Fotografou durante relativamente pouco tempo – aproximadamente 11 anos (1864 – 1875).

Ficou conhecida pelas suas fotos de retratos e temas legendários.

Quando morou na Inglaterra, sua casa ficava na ilha de Wight e é atualmente aberta a visitação (Dimbola Lodge).

É curioso que Julia Margaret tirou proveito das limitações de suas primeiras câmeras, e obteve efeitos fotográficos artísticos que viriam a causar impacto na fotografia moderna.

Assim, ela só tinha um ponto de foco, e além disso precisava de sete minutos de exposição.

Tudo contribuia para um efeito observável em algumas das suas fotografias, que ela soube explorar muito bem. Embora tais efeitos não fossem bem apreciados à época, tornaram-se apreciados depois, e também sua característica de aproximação utilizada, que não era muito comum em seu tempo.

A seguir postarei algumas fotos de Julia Margaret Cameron.

Antes porém selecionei duas citações a ela atribuidas:  

“Quando tive pessoas diante da minha câmera, minha alma inteira se esforçou para realizar o trabalho em relação a elas de registrar fielmente a sua grandeza interior e também as suas características externas. A fotografia assim tirada tem quase que a expressão de uma oração.”

 “A capacidade de deleite é o presente por prestar atenção”

Esta foto de Julia Margaret Cameron, é de 1862 e portanto precede a época na qual dedicava-se à fotografia. (1864 - 1875)

Esta foto de Julia Margaret Cameron, é de 1860 (na foto ela tinha 45 anos) e portanto precede a época na qual dedicava-se à fotografia. (1864 – 1875)

Marido de Julia Margaret.

Marido de Julia Margaret – Charles Ray Cameron (1795 – 1881).

Esta foto é de 1870, e portanto Julia Margaret tinha 55 anos.

Coletânea de Fotos de Julia Margaret Cameron.

Julia_Margaret_Cameron (9)

Belíssima!!!

Julia_Margaret_Cameron (3)

Fantástica!
Trata-se de Ellen Terry (1847 – 1928) aos 16 anos!
A mais famosa atriz do teatro Shakespeariano Inglês.

Certamente que essa é uma das suas mais belas fotos!

 by Julia Margaret Cameron

Charles Darwin.

Quanta expressividade captada!!!

Virginia Wolf.

Fotos de Julia Margaret Cameron (1) Julia_Margaret_Cameron (2) Julia_Margaret_Cameron (4) Julia_Margaret_Cameron (5) Julia_Margaret_Cameron (6) Julia_Margaret_Cameron (7) Julia_Margaret_Cameron (8) Julia_Margaret_Cameron (10) Julia_Margaret_Cameron (11) Uma foto Impressionante! Julia_Margaret_Cameron (13) Julia_Margaret_Cameron (14) Julia_Margaret_Cameron (15) Julia_Margaret_Cameron (16) Julia_Margaret_Cameron (17) Julia_Margaret_Cameron (20) Julia_Margaret_Cameron (21) Julia_Margaret_Cameron (22) Child Study Red And White Roses Passing Of Arthur Lancelot And Elaine Cruel Love May Queen Shakesperian Scene Julia_Margaret_Cameron (31) Tennyson's Maud Woman And Child Tennyson's Princess Julia_Margaret_Cameron (35) Julia_Margaret_Cameron (36) Julia_Margaret_Cameron (37) Julia_Margaret_Cameron (38)

Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 02 – Irving Penn.

In Uncategorized on 19 de maio de 2013 at 21:56

Irving Penn foi um fotógrafo americano que nasceu e morreu em Nova Iorque (1917 – 2009).

Faleceu em sua casa, aos 92 anos.

Costuma-se dizer que ele revolucionou vários gêneros fotográficos, mas que foi como fotógrafo de moda, que deixou sua marca mais profunda.

Trabalhou para a revista Vogue tendo sido responsável por uma centena de suas capas.

Fotografou muitas modelos e atrizes famosas, entre elas Marlene Dietrich, Kate Moss, e Gisele Bünchen.

A sua foto de um nu de Gisele Bünchen, foi leiloada em 2008 por um colecionador,  por U$ 193 000.00.

Ainda no campo dos nus, também fotografou outras mulheres famosas, entre elas Kate Moss, cuja  foto também foi leiloada.

Era perfeccionista ao ponto de demorar horas até dar o clique, e seu desafio era captar a expressão de cada pessoa a quem fotografava.

Costumava trabalhar a sensualidade, com muita elegância e sensibilidade.

Entre as suas fotos famosas estão as de  Truman Capote, Pablo Picasso, e muitas outras personalidades famosas.

Foi casado com  a sueca Lisa Fonssagrives-Solow (1911 – 1992), considerada a primeira das super  modelos, que foi capa de centenas de revistas nas décadas de 30 a 50. Teve com ela dois filhos: Mia Fonssagrives-Solow, estilista, e Tom Penn, designer.

Irving Penn.

Irvin Penn Com o Rosto Refletido em um Espelho Quebrado.

A seguir, uma coletânea de fotos da obra de Irving Penn.

Imagem

Ela.

ImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagemImagem

Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 01 – Henri Cartier Bresson.

In Uncategorized on 18 de maio de 2013 at 19:20

As listas dos fotógrafos mais influentes do mundo costumam incluir com primazia, um dos pioneiros da fotografia mundial, o francês Henri Cartier Bresson.

Nasceu em 1908 e  viveu até o ano de 2004. Foram portanto 96 anos , na sua maior parte dedicada a sua paixão artística pela fotografia e pelo mundo.

É dele a famosa frase na qual tenta definir a fotografia: “Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração.”

Uma foto de Martin Munkasci, em 1931, teria lhe despertado a paixão pela fotografia e feito iniciar a sua longa carreira. Anexei a essa postagem, primeiro uma foto de Bresson e em seguida, a foto acima mencionada, de Munkasci.

Também escolhi entre uma parte da obra de Bresson, as dez fotos que por algum motivo, me despertaram o desejo de destacar.

Terminou que essas dez fotos, viraram na realidade 16, o que é por demais compreensível.

Não teria sentido estender-me com informações adicionais sobre HCB, quando uma busca do Google lhe permitirá amplo acesso a todas as informações sobre ele.

O objetivo desse tipo de postagem é apenas estimular essa busca de beleza através da fotografia dos grandes fotógrafos, muitos deles, não raro, simplesmente geniais.

 

A Foto das Crianças do Congo, não é dele. É de Martin Munkasci.

Provavelmente portando a sua câmera Leica.
"O que detonou sua vida de fotógrafo foi a fotografia de Martin Munkasci publicada na Revista Photographies em 1931, onde os 3 meninos negros nus no Congo, que saem correndo em direção às ondas do mar, numa coreografia de dança, com a liberdade genuína do ser humano...totalmente livres sem obstáculos, poderosamente sensuais, exuberantes, joviais, vivos... leves e verdadeiros, brincando entre si, como se fossem os únicos possuidores da verdade humana. Eles personificam a liberdade, a carne sem pecado. Seus movimentos foram então congelados praticamente no ar, por Munkasci, onde aparece a silhueta dos 3 de costas... O momento exato que expressava aquela situação foi congelado nesta fotografia, que impressionou Bresson por toda a vida. ''O equilíbrio plástico desta foto suspende seu ímpeto pela vida...um retorno às origens...a mais nobre humanidade. 'Dizem aqueles que o conhecem, que é a única foto em sua parede... Esta foto foi o gatilho de sua efervescente carreira de fotógrafo. "

“O que detonou sua vida de fotógrafo foi a fotografia de Martin Munkasci publicada na Revista Photographies em 1931, onde os 3 meninos negros nus no Congo, que saem correndo em direção às ondas do mar, numa coreografia de dança, com a liberdade genuína do ser humano…totalmente livres sem obstáculos, poderosamente sensuais, exuberantes, joviais, vivos… leves e verdadeiros, brincando entre si, como se fossem os únicos possuidores da verdade humana. Eles personificam a liberdade, a carne sem pecado. Seus movimentos foram então congelados praticamente no ar, por Munkasci, onde aparece a silhueta dos 3 de costas… O momento exato que expressava aquela situação foi congelado nesta fotografia, que impressionou Bresson por toda a vida. ”O equilíbrio plástico desta foto suspende seu ímpeto pela vida…um retorno às origens…a mais nobre humanidade. ‘Dizem aqueles que o conhecem, que é a única foto em sua parede… Esta foto foi o gatilho de sua efervescente carreira de fotógrafo. “

FRANCE. Paris. Place de l'Europe. Gare Saint Lazare. 1932.

Com apenas um ano de prática, a sua foto mais aclamada!

HCB1959037W05876/05A

Incrível, o HCB! Não?

Henri_Cartier_Bresson (9)

Que tal?

henri-cartier-bresson-rue-mouffetard-paris-1954-boy-smiling-wine-bottles Henri_Cartier_Bresson (26) Henri_Cartier_Bresson (25) Henri_Cartier_Bresson (23) Henri_Cartier_Bresson (13) Henri_Cartier_Bresson (12) Henri_Cartier_Bresson (11) Henri_Cartier_Bresson (7) Henri_Cartier_Bresson (6) Henri_Cartier_Bresson (5) Henri_Cartier_Bresson (4) Henri_Cartier_Bresson (3) Henri_Cartier_Bresson (1)