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Alguns dos Mais Influentes Fotógrafos do Mundo – 09 – Edward Steichen.

In Uncategorized on 29 de junho de 2013 at 18:36

Edward Steichen foi do circulo de Alfred Stieglitz, do qual também faziam parte Paul Strand e Charles Sheeler. Assim como Alfred Stieglitz, Steichen empenhou-se em demonstrar que a fotografia era uma manifestação formal de arte. Foi também um dos representantes do pictorialismo.

Do ponto de vista pessoal, na área artística, ele realizou algo que Cartier Bresson muito pretendeu, mas que terminou por desistir: ser pintor.

Edward Steichen foi influenciado por Clarence White co-fundador do movimento “photo-secession”, e teve em Alfred Stieglitz  seu grande incentivador.

Steichen nasceu em Luxemburgo, em 1879, mas optou pela cidadania americana depois que sua família emigrou em 1881 para Estados Unidos, tendo se fixado no Michigan. Morreu em 1973, aos 94 anos.

Começou a fotografar em 1895 (aos  16  anos), quando já era pintor, tendo continuado a sê-lo por aproximadamente 20 anos. Viveu em Paris onde estudou pintura.

Em 1905, em Nova York, com Alfred Stieglitz, eles abriram a Gallery 291, no número 291 da Quinta Avenida (daí o nome), onde promoveram exposições dos mais representativos pintores e escultores do século XX: Picasso, Matisse, Cezànne, Brancusi…

Depois disso, no ano seguinte,  Edward Steichen voltaria para Paris, onde passou mais 17 anos (até 1923), retornando como fotógrafo chefe das revistas Vanity Fair e Vogue.

Um dos aspectos do seu trabalho consiste na sua dedicação a fazer retratos de grandes personalidades, com muitas das quais manteve relações de amizade. Diz-se que um único retrato lhe exigia a dedicação de todo um dia de trabalho. Entre os seu ilustres fotografados: Greta Garbo, Charles Chaplin, Marlene Dietrich, Matisse, Rodin

Observa-se que sempre buscou em todos os seus temas, uma interpretação emotiva e impressionista.

Foram muitas as suas realizações, entre elas, foi nomeado diretor da secção de fotografia do Moma, em 1947. 

Participou da II guerra mundial, fez importantes fotos de guerra em Pearl Harbor, Honolulu e Hawaí.

Escolhi começar a mostrar algumas das sua fotos, por um seu surpreendente autoretrato:

autoretrato comopintor

Este seu auto-retrato é de 1902, e ele o fez inspirado no quadro por Tiziano Verelli, “O homem da luva” de 1520, que ele viu no museu do Louvre:

O Homem da Luva Azul

“O homem da luva” (Tiziano Varelli)

Tiziano, considerado um dos melhores pintores de retratos da Itália Renascentista, desenvolvia na maioria das vezes retratos ligados ao psicológico dos seus modelos, e por ter pintado numerosos retratos de aristocratas e príncipes, ganhou o nome de “pintor dos príncipes”.

Entre os vários maravilhosos retratos de personalidades, da autoria de Steichen, ousei destacar este, de Gloria Swanson:

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 “O retrato pressupõe que eu mergulhe completamente na personalidade do modelo, que eu perca inteiramente a minha própria identidade e quando termino estou quase completamente despedaçado” Edward Steichen

Na sequencia, mais alguns dos seus extraordinários retratos de grandes personalidades:

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Ann Harding

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Gloria Swanson

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Greta Garbo e John Gilbert

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Isadora Duncan

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Joan Crawford

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Leslie Howard

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Marion Morehouse

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Marion Morehouse

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Marlene Dietrich

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Marlene Dietrich

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Marlene Dietrich

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Miss Fanny Haven

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Norma Shearer

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Princess Irina Alexandrovna Irina

Carl Sandburg and his wife, Lillian Edward Steichen Sandburg

Carl Sandburg e sua mulher Lillian Sandburg. Carl Sandburg foi poeta, historiador, novelista. biógrafo… Considerado um homem sábio. Ganhou o premio Pulitzer pelas suas poesias e pela biografia de Abraham Lincoln. Em 1907 encontrou Lilian, e no ano seguinte casou com ela. Lilian era irmã de Edward Steichen. Tiveram três filhos.

Edward Steichen  Vanity Jean Harlow

Jean Harlow

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Brancusi

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Brancusi em seu estudio em Paris.

Edward Steichen Greta Garbo

Greta Garbo
Gloria Swanson - c. 1920s

Gloria Swanson

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Greta Garbo

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Louise Brooks

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Charlie Chaplin

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Charlie Chaplin

FRED by Steichen
Fred Astaire

Porém dos vários retratos que fez, os considerados mais notáveis são os de Rodin. O primeiro deles é de 1902, e coloca Rodin em frente ao seu monumento a Victor Hugo. Não destaca o rosto de Rodin. Pelo contrário, o escultor é fotografado de perfil e contra a luz. A sua face é portanto escurecida  propositalmente, de modo a não mostrar detalhes do seu rosto. A ideia foi apresentar Rodin como o artista criador que supera a dimensão humana. “Rodin, o homem, apaga-se face a Rodin, o artista criador”.

A imagem nada tem de natural e se aproxima de uma pintura, porque Steichen a manipula (utilizando as possibilidades da goma bicromatada) de modo a tornar imaterializada a estátua de Victor Hugo, a qual ganha uma forma fantasmagórica.

“Dessa forma ele expressa duas realidades, a de Rodin e a sua visão, que transformará em realidade material. A imagem invertida foi utilizada para criar um segundo retrato no qual Rodin é confrontado com uma das suas obras mais conhecidas, “O Pensador”. “

Observamos assim o quanto na prática fotográfica dos grandes mestres da fotografia, a manipulação das imagens antecedeu no tempo as ricas possibilidades atuais proporcionadas pelo Photoshop.

Rodin-O pensador (1)

As fotos a seguir são de Steichen como fotógrafo de moda. Até então as revistas de moda usavam publicar apenas desenhos. Steichen foi o introdutor das modelos.

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É surpreendente que Steichen também fotografou a guerra. Ele Participou da segunda guerra mundial,  como capitão da marinha americana:

Edward Steichen at USS Arizona Memorial - Pearl Harbor Honolulu

Capitão Edward Steichen

Algumas fotos de Steichen durante a II Guerra Mundial:

Water Plume

Explosão bem próxima do navio onde ele
estava!

Another Navy Tradition

Trata-se do registro da tradição na marinha americana do marinheiro atirar-se ao mar.

A Fighter Plane Bursts Into Flame

Um avião americano atingido.

The Third Fleet

Vista aérea dos navios das terceira frota nas costas do Japão em 1945.

Pleased Pilots After Attack The Navy's Fledglings Asleep On Deck Evading A Bombing Attack Coffee For Enewetok Survivors Portrait Of A Sailor Relaxed Quarters

1943-rec (1)

E concluindo, para ilustrar a diversidade de fotos que fez, nos seus vários periodos, seguem duas fotos de New York:

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Brooklin Bridge

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The Flatiron

O famoso The Flatiron building em Nova York, também foi fotografado pelo Alfred Stieglitz! Curiosamente, do mesmo ângulo. São fotos muito belas, e das duas a de Alfred Stieglitz tem a minha predileção.

E o que dizer da foto abaixo?

Lembrei ao vê-la, que certa vez, o crítico A.C.R.Carter, perguntado sobre o que achava sobre a fotografia ser uma arte, ele respondeu:

“Sim, trata-se de Edward Steichen.”

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A impressão que me deixaram as leituras sobre Edward Steichen é a de que de fato ele teve uma longa e diversificada atuação artística.

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Face a extensão da obra de Edward Steichen, essa síntese seria ainda mais incompleta, se eu deixasse de mencionar o papel que ele teve, na produção de uma das mais famosas exposições fotográficas:  “The family of man”.

Aconteceu 10 anos após o fim da segunda guerra mundial, em 1955, e teve a participação de fotógrafos de 68 países. Dois milhões de fotos concorreram e apenas 10 000 foram em uma primeira etapa selecionadas. Terminaram escolhidas 503 fotos de 273 fotógrafos, 110 deles não americanos.

Encerrarei essa postagem, com uma dessas 503 imagem que compõem a “The family of man”. Eu a escolhi por achá-la deveras marcante, e  me surpreendo por quanto diante dela me detenho!  A autora foi Dorothea Lange. E na foto, que é da década de 30, Florence Thompson, 32 anos, 7 filhos. Titulo da foto: “Migrant Mother”.  Foi tirada durante a grande depressão nos Estados Unidos.

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Com esta exposição, Edward Steichen que dela foi o curador, teve como propósito mostrar através de imagens, a universalidade da experiência humana. Ele considerou “The family of man” o ponto culminante da sua carreira.

Nada mal! Hein?

Ou como ele era americano, diria em sua homenagem: not too bad!

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Alguns dos Mais Influentes Fotografos do Mundo – 08 – Alfred Stieglitz.

In Uncategorized on 18 de junho de 2013 at 22:07

Alfred Stieglitz (1)

Alfred Stieglitz, é considerado a figura mais significativa da fotografia nos Estados Unidos, e um dos maiores impulsionadores da fotografia como forma de arte. Encontrei no vídeo a seguir o modo sucinto que buscava de apresentá-lo, ao qual apenas acrescentarei algo a respeito do chamado Pictorialismo, e da presença deste extraordinário fotógrafo neste importante movimento artístico.

Sim! Alfred Stieglitz foi um adepto do pictorialismo.

O Pictorialismo foi um movimento artístico que surgiu na França, Inglaterra e Estados Unidos, a partir da década de 1890, até 1920.

Observemos as duas imagens a seguir… Elas fazem parte de um trabalho acadêmico sobre o Pictorialismo disponibilizado na internet, para a disciplina de Photo Lab da professora Suzana Marques, e do qual participa a atriz Paula Rego.

(para os interessados em maiores detalhes: http://www.behance.net/gallery/paula-rego-pictorialismo/1002415)

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Tudo bem! As vezes a realidade é mais graciosa, que aquela outra criada pelo artista.

“No Pictorialismo a fotografia perde a sua relação com o real, mas por outro lado o fotógrafo passa a ser visto como o criador de uma nova realidade.”

Isto é por demais observável nas imagens criadas por Alfred Stieglitz que à época tinha por objetivo demonstrar que ao imitar as pinturas, a fotografia merecia um reconhecimento de um papel singular como modo de expressão artística.

Alfred Stieglitz (22)

A manipulação que os fotógrafos pictorialistas faziam nos negativos e nas provas, alterando elementos naturais da imagem por diversos meios, visavam imitar as pinturas e assim alcançarem o reconhecimento artístico dos pintores, ao elevarem a fotografia ao patamar das artes.

Os críticos deste movimento tinham a opinião de que enquanto tentaram imitar as pinturas, os fotógrafos perderam de explorar novos ângulos estéticos, próprios da fotografia.

Hoje, privilegiados pelos progressos que nos proporcionaram as técnicas digitais, não só podemos apreciar o valor da fotografia tal como sentida e praticada pelos pioneiros que viveram durante o seculo XIX e sobretudo a primeira metade do seculo XX, como praticar a vontade o Pictorialismo…

Assim o fazemos quando ao fotografar com o Smartphone, usamos uma meia dúzia de editores nele próprio instalado, para dar às nossas imagens, a aparência que desejarmos. É o caso particular da chamada iPhonographia!

 A foto considerada pela crítica como a mais importante da obra de Stieglitz e também uma das fotos mais importantes do século XX, foi “The Steerage“. Ele a fez a caminho da europa em 1907, embora só em 1911 ela tenha sido finalmente publicada. Picasso ao vê-la, comentou: “Este fotógrafo trabalha com o mesmo espírito que eu.”

A partir daí Alfred Stieglitz teria começado a sua transição da fase pictorialista para a da fotografia documental e naturalista, que então tomou força.

The Steerage

The Steerage

 Outra foto de grande relevância é “The terminal”, que pertence a parte do seu acervo de fotos da cidade de Nova York. Esta foto, foi vendida em 1898 por 75 dólares, um valor considerável para a época.

Alfred Stieglitz (20)

The Terminal.

O primeiro casamento de Alfred Stieglitz não deu certo! Mas o segundo, com a pintora Georgia O´Keefe deu!

Stieglitz dizia: “Pretender que um único retrato possa ser o retrato completo de uma pessoa, é tão fútil quanto pretender que um filme possa ser condensado em uma única foto.”

Portanto Stieglitz acreditava que o retrato consistia em mais do que mostrar apenas o rosto e que ele deveria ser um registro da experiência global e uma pessoa. Um mosaico de movimentos expressivos, emoções e gestos os quais funcionariam coletivamente para evocar uma vida.

Por isso, para evocar a vida de sua mulher Georgia O´Keefe, ele fez cerca de 300 fotos dela, no priodo de 1917 a 1937, e com elas compôs um extraordinário painel.

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1921

Outras fotos de Alfred Stieglitz:

Alfred Stieglitz (3)

Um Canal de Veneza.

Alfred Stieglitz (13)

Flatirion Building, 1903.

Alfred Stieglitz (21)

Winter on Fifth Avenue, New York, 1893.

Alfred Stieglitz (10) Alfred Stieglitz (11) Alfred Stieglitz (12) Alfred Stieglitz (18) Alfred Stieglitz (23)

Em uma de suas citações, Alfred Stieglitz revelou que a fotografia foi para ele um amor à primeira vista pelo qual teve grande paixão:

“A câmera estava me esperando por predestinação e eu a tomei como um músico a um piano ou um pintor à tela. Eu fui para a fotografia uma alma verdadeiramente livre – e amei a fotografia à primeira vista com grande paixão.

Outras citações dele sobre a fotografia:

“Onde houver luz pode haver fotografia.”

“Em fotografia há uma realidade tão sutil que ela se torna mais real que a realidade.”

“As artes tem departamentos distintos, e a menos que a fotografia tenha suas próprias possibilidades de expressão, à parte daquelas outras artes, ela será um mero processo, não uma arte.”

Alguns dos Mais Influentes Fotografos do Mundo – 07 – Robert Doisneau.

In Uncategorized on 15 de junho de 2013 at 14:40

Uma boa forma de apresentar um grande fotografo, é sem dúvida mostrando a sua mais famosa fotografia.

Este é Robert Doisneau:

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E esta abaixo, é a sua foto mais famosa, “The Kiss by Town Hall”, que tornou-se um simbolo da Paris romântica da década de 50:

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Robert Doisneau era frances, e viveu de 1912 a 1994 (82 anos). 

O pai era encanador e morreu em ação durante a primeira guerra mundial, quando ele tinha apenas  4 anos. Sua mãe também morreria poucos anos depois, quando Doisneau tinha 7 anos, tendo ele sido criado por uma tia que não lhe tinha muito amor. 

Pobre Doisneau! O começo e o final da sua vida, foram muito tristes…

Os relatos sobre ele dão conta de ter sido um homem tímido, simples, humilde e ético,  que não admitia fotografar as pessoas em condições aviltantes. Um exemplo disso foi a sua recusa de registrar mulheres cujas cabeças haviam sido raspadas como uma punição, por terem dormido com soldados alemães.

Gostava de fotografar crianças nas ruas, quando desacompanhadas dos pais, e suas fotos tinham um toque de divertidas, expontâneas, naturais, e simples. Ele frequentemente voltava a fazer esses registros de crianças, sempre com muita seriedade e respeito.  Em reconhecimento a isso, há na Franca muitas escolas primarias que levam o seu nome.

Ao retratar a realidade cotidiana, podemos perceber nas suas belas imagens, a influencia de Andre Kertsz e de Cartier-Bresson.

A famosa foto acima, “Kiss by the Town Hall”, pela qual Robert Doisneau obteve reconhecimento da sua obra, se por um lado lhe trouxe a fama, também lhe causou grandes transtornos.

Embora as fotos de Doisneau demonstrem a sua extraordinaria capacidade de clicar no “momento decisivo”, jamais faria essa foto sem antes pedir permissão. Até porque, segundo ele próprio, um casal beijando-se assim na rua, tem grande possibilidade de não ser um casal “legitimo”. Essa sua preocupação demonstra um traço marcante da sua personalidade.

Alem disso e pelas leis vigentes na França, o direito à imagem cabe aos fotografados,  desde que assim o desejem, caso não haja a permissão previa para a foto.

O que de fato aconteceu, foi que Doisneau viu o casal se beijando, ah saida de uma escola de teatro em Paris. Eles eram alunos de uma escola de teatro. Aproximando-se deles, indagou se concordariam em repetir o beijo, para que ele os pudesse fotografar.

Eles concordaram e terminaram repetindo a cena em tres diferentes locais de Paris.

Viria a ser confirmado anos depois, pela propria Francoise Delbart, a mulher na foto, que Doisneau fora extremamente gentil e amavel ao aborda-los e que eles não tiveram objeções a atende-lo, até porque estavam bem acostumados a beijarem-se, e que naturalmente achavam isso muito bom.

Embora a foto tenha se tornado muito famosa,  o casal fotografado permaneceu incognito, por um longo tempo. Enquanto isso, vários casais apareceram reclamando ser o casal fotografado, e um deles, Jean e Denise Lavergne, contestou judicialmente alegando que a foto era sua e que havia sido tirada sem permissão.

Robert Doisneau ganhou a causa, porque foi possivel reencontrar o verdadeiro casal fotografado, que fora Francoise Delbart e Jacques Carteaud, que naquela ocasião tinham respectivamente 20 e 23 anos de idade. Françoise recebeu na época da foto, “por seu trabalho”, uma foto assinada e selada pelo autor  da fotografia, Robert Doisneau, o que terminou com as duvidas sobre a autenticidade dos fotografados.

Em abril de 2005, Francoise vendeu a foto em um leilão, arrematada por um suiço desconhecido por um valor dez vezes maior que o esperado: 155 000 Euros (em termos atuais,aproximadamente R$ 400 000,00).

Doisneau foi casado com com Pierrete, e teve duas filhas: Annete e Francine. Francine foi sua secretária de 1979 ateh a morte do pai, em 1994. Ela contou o quanto o abalou a decepçao pelo mundo de mentiras desencadeadas em torno da sua foto, acrescido da doença da sua esposa Pierrete, que em decorrência de Alzheimer e Parkinson, veio a falecer 6 meses antes dele.

Doisneau morreu de problemas cardiacos, agravados por uma pancreatite, mas segundo sua filha Francine, a verdadeira causa da sua morte teria sido a tristeza.

Fiquem então com uma coletânea de suas fotos.

Que tal relembrarmos antes de vê-las, o que disse a também extraordinária, Julia Margaret Cameron:

“A capacidade de deleite é o presente por prestar atenção”.

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 Concluindo, algumas de suas citações:

“As maravilhas da vida diaria são tão emocionantes; nenhum diretor de cinema pode organizar o inesperado que encontramos nas ruas.”

“Se eu soubesse como tirar uma boa fotografia, eu o faria todas as vezes.”

E sobre a sua fama a partir da divulgação de “The Kiss by Town Hall”:

“Pode ser que se tivesse 20 anos, o sucesso me mudaria. Mas agora eu sou um dinossauro da fotografia.”

Viva Robert Doisneau!